sábado, 31 de janeiro de 2009

O tiro de Guerra: Vem aí o pelotão de "Arte-lharia"

Se existe algo para o qual não naci, foi para ser um militar, pois, já no tiro-de-guerra, sem a menor vocação para a coisa, fui o soldado mais atrapalhado da turma, onde eu estava ali estava tambem a confusão.
Durante os desfiles, vivia dando vexames, como tropeçar e cair, disparar aciidentalmente a arma em publico, deixar cair o fuzil no chão, e etc...
Mas entre todas as minhas "presepadas", esta realmente foi digna de uma bela postagem neste blog, pois foi um dia do qual jamais vou me esquecer... A gente iria fazer uma guerra simulada, onde o nosso GC (Grupo de combate) se dividiria entre 2 sub-grupos, ou seja, um dos grupos iria defender nossa fronteira e nossa soberania contra um "grupo de gerrilha" que iria tentar tomar o quartel, enquanto o restante do pelotão seria formado pelos "Guerrilheiros subversivos". Cada grupo seria formado por 20 homens, mas... bem claro: Tudo seria apenas uma simulação, ou seja, o combate seria travado com todas as armas carregadas apenas com balas de festim, aquelas que só detonam mas não possuem projeteis... tratam-se de balas totalmente inofensivas.
Nossa turma costumava carregar para consumir no intervalo da instrução as chamadas "laranjas loucas". Para quem não sabe, eram laranjas comuns que, a gente com o auxilio de uma seringa de injeção, injetava cachaça ou outra bebida dentro da fruta, e depois, na frente do sargento, inocentemente descascavamos a tal "laranja" e chupavamos como se fosse a coisa mais normal do mundo... Tinha já até um cara que todo dia passava em frente a sede com um carrinho cheio delas... segundo dizia nos eramos seus maiores consumidores, pois cada um de nós encomendavamos ao menos 1/2 duzia ...
Bem, voltando ao assunto, ja estava quase tudo pronto para darmos inicio ao "combate", quando o sargento mandou me chamar em sua sala. Apresentei-me batendo continencia:
___Soldado numero 33. Magno
___Ouça bem, foi logo dizendo o sargento:
___Vamos começar agora o combate simulado, mas não quero sua participação, pois teremos a presença do Sr. comandante do segundo exercito. Estou para ganhar uma promoção para Sub-tenente, mas minha promoção dependera do nosso desempenho nesta apresentação, que sera avaliada pelo general, portanto não o quero metido no meio disto, pois do jeito que voce e um imbecil e atrapalhado, vai acabar aprontando alguma e colocar tudo á perder, entendido?
___Entendido, senhor... respondi. Estou dispensado?
___Não, responde o sargento, mas quero voce bem longe de tudo isto, faz o seguinte: Os soldados entrarão enfileirados para retirar suas armas. Voce devera distribuir apenas os fuzis carregados com muniçao de festim, e os demais, que se encontram carregados com munição verdadeira serão utilizadas na exibição de tiro-ao-alvo, que acontecera logo após, la no estande, mas porinquanto não os entregue a ninguem, certo?
___Certo, respondi. e pedí: ___Sera que poderia me conceder so uns 2 minutos para ir ao banheiro?
___Só 2 minutos, responde o sargento... Daqui a 15 minutos quero todos os homens ja posicionados com suas armas na rua!
Neste intervalo, corri até o alojamento e rapidamente, chupei mais uma daquelas "laranjas". Ao chegar no sarilho das armas, o pelotão estava ja aguardando pelos fuzis, que seriam utilizados no combate simulado...
Olhei para as 2 paredes, cada uma com um monte de fuzis empilhados um sobre o outro, mas ninguem havia me informado quais estavam com balas de festim e quais os que se encontravam carregados com bala verdadeiras...
"Devem ser estes que estão á direita", pensei... Eu é que não vou ficar abrindo um por um para verificar"
Dei mais uma boa chupada na "laranja", e ja meio doidão, comecei a distribuição das armas. Os soldados pegavam seus fuzis e ja iam para a rua para se posicionarem.
No lado de fora, o sargento se gabava ao general:
___Senhor, a apresentação que presenciara hoje foi fruto de um grande e longo trabalho de treinamento militar, e agora mostraremos o quanto meus homens realmente se encontram preparados para defender a soberania da Patria.
___Òtimo, responde o general... Se tudo correr bem, sua promoção sai ainda esta semana no Diario Oficial da União.
E os ultimos preparativos para o tal "combate aos guerrilheiros" tem inicio.
___Ouçam todos, grita o sargento. __Os dois grupos inimigos serão divididos: Os guerrilheiros subversivos atacarão avançando da rua Acre em direção á Rua 9 de Julho... Já a artilharia irá rechaçar e revidar posicionada atras das trincheiras formadas com sacos de areia, colocados na rua, em frente á sede. No momento da tomada, os gerrilheiros utilizarão meu carro como trincheira, na tentativa de fugir do fogo concentrado da nossa artilharia, até que então ficarão cercados e se renderão... entendido?
___Entendido, senhor, respondem todos em uma só voz.
A esta altura, quase não havia mais espaço para se pisar nos arredores, pois na rua, era só casca de laranja espalhada pra todo canto...
O sargento saca então sua pistola '''45 mm" e atira para o alto. Era o sinal para que o "combate" tivesse inicio
Os gerrilheiros avançam, abaixando-se para não serem atingidos pela artilharia. O tiroteio tem inicio, e, conforme o combinado, parte do grupo de guerrilha se esconde atras do carro do sargento, um "corcel 74"
Os tiros começam a serem disparados, e o general, olhando para o sargento comenta:
___Está muito bom, tudo parece tão real que eu seria capaz de jurar que ate sinto o ventinho das balas passando sob minhas pernas e perto de minhas orelhas...
___É a imaginação, senhor realmente tudo isto parece real, confesso que tambem estou impressionado, mas a melhor parte o senhor ainda ira ver...

___Continuem atirando... grita o sargento... ___Atirem bastante, o general esta gostando...
E não demorou muito, alguns moradores dos arredores começam a sair de suas casas assustados... Agora estavam sendo disparados muitos tiros e ninguem conseguia ouvir o que eles diziam. Em um determinado momento, o quepe do general voou de sua cabeça, como se tivesse sido arrancado por alguma força invisivel. O
general, já meio assustado, baixou-se para pega-lo. Parece que algo estava meio esquisito. De repente, as vidraças da casa em frente a sede se estilhaçam em pedaços, e o sargento correu até o local, olhou para o chão e não acreditava no que via... uma bala de fuzil ... "Não é possivel", pensou... Estavam atirando com balas de verdade... balas de verdade? Voltou de imediato para o local do "combate" e passou a gritar:
___Atenção, soldados, cessar fogo... cessar fogo agora!
E os soldados, embalados pela "laranja louca" e pelo barulho dos tiros não davam a minima para o sargento, agora o caos geral se espalhara pois era tiro por todo canto, gente correndo com criança no braço... confusão e panico, e a cada segundo aparecia um "furo novo" nas paredes e muros nos arredores, e o tal general então... Pernas pra quem tem... Já havia desaparecido !
A munição dos fuzis então começou a se acabar, e os tiros foram cessando... logo que o pelotão conseguiu ouvir o sargento, voltaram todos em forma, na posição de "sentido" . Felismente não houve consequencias graves, apenas um homem foi atingido de raspão no braço, por uma bala perdida.
O pelotão tentava se manter enfileirado, mas mal conseguia parar em pé, e o sargento se dirige para o que restou de seu carro, que fora usado como trincheira pelos "gerrilheiros".
Nada mais havia a fazer, pois a lataria e os para-brisas estavam todos crivados de balas... e do lado de dentro não dava mais pra ver os bancos, mas apenas as molas e um monte de pano furado.
Nas residencias aos arredores da sede, então... paredes esburacadas, moveis perfurados e muito estrago. A visão do local era catastrofica.
O sargento então voltou e percorreu devagar pelo pelotão, olhando todos de cima á baixo...
___Voces colocaram tudo por agua abaixo... minha promoção... meu carro... Mas irão se arrepender para sempre disto tudo.
___Abram todos suas bocas, ordenou.
E foi logo cheirando as nossas bocas, um por um...
___Estão todos bebados... ficarão detidos até segunda ordem, determinou... Onde acharam cachaça?
Silencio geral...
___Pois, bem, não se lembram? Então cadeia pra todo mundo, até que recuperem a memoria. Não terão visitas, farão trabalho forçado, comerão apenas uma vez ao dia e terão de passar 24 horas com um cantil de agua, quanto ao meu carro que voces detonaram, cada qual tera de "contribuir" com sua parte para as despesas de conserto!
Logo depois, dirigindo-se a mim:
___Magno, para voce reservei um "presente especial" Ficara em cela isolada por 15 dias, mas saira durante 1 hora todos os dias para lavar os banheiros. Voce esta sendo enquadrado por negligencia e mau comportamento.

E assim a tal promoção do sargento acabou mesmo ficando só no sonho.
E o cabo de plantão já me conduzia para meus "aposentos", onde iria permanecer os 15 dias, quando, ao passarmos em frente a sala do sargento, parei um pouco e, dirigindo-me a ele, pedí:
___Senhor sei que minha comida e minha agua sera limitada neste periodo, mas, sera que eu poderia fazer somente um pedido?
___Depende, responde ele, o que voce quer agora?
___Bem respondi... Será que eu poderia levar pra cela este saco plastico, pode olhar, só tem algumas laranjas aqui dentro...
___Tá bom, responde o sargento... Mas, Putz, caramba, em toda minha carreira, nunca vi gostar tanto de laranja como os soldados deste pelotão... Pode levar, mas deixa aí uma destas laranjas pra mim. Meu dia hoje foi amargo e preciso de algo pra adoçar a boca
!

1 comentários:

  1. uAHEuAHEuAehaUE

    Muito bom... vc eh o "forrest gump" avareense! =P

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