quinta-feira, 2 de julho de 2009

O sargento corno: Foi tiro pra todo lado



Foi no final dos anos 60... Os caras eram amigos, aliás, tão amigos que quase irmãos, se não fosse um episodio, cujo escandalo, devido a sua grande repercussão, durante um bom tempo deu muito o que falar pela cidade. O Tiro-de-Guerra na época era comandado pelo então Sargento Murilo, homem serio e cumpridor de seus deveres. Sua mulher, uma suculenta mulata, no auge de seus 28 anos, cujas curvas eram de fazer qualquer soldado raso entrar em transe e babar involuntariamente, desfilava aos rebolados pra todo canto, com sua saia curtissima e seu decote generoso, causando alvoroço entre os homens solteiros e casados, em atitude de provocação.e desafio. Em suas horas vagas o militar tinha como passatempo e lazer preferido uma boa pescaria, sempre acompanhado por seu melhor amigo. Tratava-se de um conhecido e respeitado comerciante, empresario bem sucedido na região, proprietario de uma loja de materiais eletricos, localizada na Rua Pernambuco, entre as ruas Sta. Catarina e rua S. Paulo. Tradicionalmente, aos finais de semana, os inseparaveis amigos, já logo pela manhã, preparavam suas varas e iscas e partiam rumo a represa pra mais um dia de descanso e diversão.
De uns tempos pra ca, o sargento começava a notar alguns comportamentos estranhos por parte de sua companheira, ou seja, durante algumas vezes por semana a mulata se embelezava toda, lambusava de perfume frances, usando e abusando de maquiagem e enquanto o militar assistia a imperdivel serie da globo “Jornada nas estrelas” que ia ao ar a partir de 20:30 Hs, a mulher saia cidade afora, sempre com a mesma desculpa:
___ Vou á missa, dizia... Caso demore um pouco é porque fiquei na igreja pra confessar....
Não muito raro ela demorava mesmo, pois quando chegava em casa, o cara já estava roncando no sofa, com a TV ligada. E assim a coisa rolou durante alguns meses, quando certo dia, após a mulher sair para assistir mais uma “missa” o sargento, tomando um copo de cerveja começa a refletir consigo mesmo: “Sera mesmo que ela ta indo todo este tempo pra missa?... mas... hoje é terça-feira e so temos missa aos domingos...sera o que estou pensando?” E assim perguntas e duvidas surgem na mente do homem, e após uns 40 minutos, refletindo, sua cabeça começa a entrar em parafusos...já havia fumado quase ½ maço de “Mistura Fina”... “E tem mais”, raciocina: “Pra ir numa missa alguem precisa se embelezar e se perfumar daquele jeito?” Com a mente já em polvorosa, o sargento já não conseguia mais raciocinar, precisava verificar o que realmente estaria ocorrendo... Resolveu então tomar uma atitude e agir. Largou sua cerveja com o copo ainda pela metade, desligou a TV... “Vou verificar direitinho a historia” pensou... Vestiu-se e preparou-se para sair, mas antes foi ate o quarto, e abrindo a gaveta da comoda, tirou de dentro dela sua reluzente pistola “45 mm”. Colocou na culatra um pente com 14 projeteis, testou a trava e outros itens da arma... estava tudo OK. Saiu dirigindo seu “Aero Willis” 4 portas em direção a Igreja S. Benedito, e ao chegar o local estava fechado sem qualquer indicio de que alguma missa ocorria porali... Foi então rumo a Igreja Matriz, e conforme já previa, tambem ali não havia missa alguma. A coisa estava ficando mesmo complicada e agora tudo era misterio... Pra onde teria ido então a mulher? Começou a rodar pelas ruas proximas a igreja e ao entrar na Rua Pará, algo o deixou curioso, algo muito estranho mesmo... Em frente a uma antiga casa, onde funcionava uma especie de pensão, na qual tambem alugavam-se quartos para pernoite de estudantes e casais, um "Karmanguia" azul estava estacionado no local, proximo a entrada principal, mas o que chamou mesmo a atençao foi o fato de que este era exatamente o carro que dera de presente pra mulher, em seu ultimo aniversario... O que poderia sua mulher estar fazendo porali? De repente, diante deste cenario, o que era misterio começa a se explicado atraves das evidencias ... “Missa?” pensou ele... “Então é isso que esta rolando, em?” E não pensou mais: Estacionou o carro, deceu e pensou como deveria agir... Em frente do outro lado da rua havia uma pequena lanchonete, e dirigindo-se ao balcão, pediu:
___Um Wisk duplo, por favor...
“Vou pegar aquela piranha de surpresa” imaginou.... e pagando a conta foi logo se dirigindo pra tal pensao, onde entrando na porta principal, dirigiu-se a dona do estabelecimento:
___Quero alugar um quarto, é só por umas 2 horas, pois cheguei de viagem e preciso descansar um pouco...
A mulher lhe entrega uma chave:
___ Quarto numero 5, pois o 4 esta ocupado por um casal, explica a dona da casa...
E o tal sargento foi logo entrando pelo corredor principal, exatamente em direção ao quarto numero 4; aproximou-se da porta encostando o ouvido na madeira proxima a fechadura.... Não demorou muito, ouviu uma voz masculina que não lhe era muito estranha, mas no momento diante do clima tenso, não conseguia se lembrar... Permaneceu na mesma posição, e após alguns minutos não deu outra, pois ouvia agora aquela voz de mulher inconfundivel daquela com a qual durante anos pensava ser so sua:
___ Foi ótimo, agora preciso ir, pois o trouxa deve estar como sempre dormindo sentado na sala...
Diante da cena, não deu pra aguentar mais, o sargento sacou sua arma e foi logo gritando:
___Abram a porta deus FDpts... a festa acabou !
Dentro do quarto muito barulho, e a porta não foi aberta, por conta disto, o cara então disparou 2 tiros na fechadura, que se espatifou em pedaços. E o homem entra no quarto de arma em punho, disposto a acabar com a farra... Tarde demais, pois a mulher já havia pulado a janela, e o garanhão ainda so de cuecas tambem já de costas subia nos batentes pra fazer o mesmo...foi tudo muito rapido, em fração de segundos... O sargento faz um disparo e acerta o homem nas nadegas, mas mesmo assim o cara consegue pular pro lado de fora, e ao chegar ate a janela pra tentar deter o casal, percebeu que os dois haviam conseguido escapar pelo corredor lateral e ganhar a rua. Em um instante ouvia já o carro da mulher saindo á toda, cantando os pneus e arrancando em alta velocidade. Voltou pra rua para tentar uma perseguição, mas apesar de todo esforço, os pombinhos em lua de mel haviam conseguido mesmo se escafeder... “Pena que não deu pra ver nem quem era o homem, ele ja tava de costas quando entrei... Mas eles não perdem por esperar, um dia eu pego os dois”, pensou o sargento... "Vou tentar recomeçar minha vida, mulher a gente arruma outra, mas... quem sera aquele cara?"

Passados alguns dias, já um pouco mais conformado, o sargento traido resolve então procurar aquele seu amigo e convida-lo pra uma bela pescaria e tentar esquecer o episodio. Dirigiu-se até a loja de propriedade do amigo, mas estranhamente o estabelecimento estava fechado. Tentou bater na porta, quando o cara da banca de jornal logo em frente informou:
___Não adianta bater, o dono da loja não esta, já a varios dias que ele não aparece poraqui...
___ Voce sabe o motivo, aconteceu alguma coisa?, pergunta o sargento...
___Bem, responde o cara da banca, teve poraqui hoje de manhã um sobrinho dele, segundo comentou o cara esta se recuperando de um tiro que levou dia destes, mas ele não deu muita informação não ..
___Tiro? Mas como foi... ele passa bem? Pergunta o sargento
___ Isto mesmo, responde o outro, ... mas não foi nada grave não, ele já esta fora de perigo, pois parece a bala não atingiu nenhum orgão vital, pegou somente a região direita das nadegas !

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